Governança: uma prioridade máxima

Os desafios para a implantação de boas práticas são temas recorrentes nas empresas

Empresas e instituições no mundo estão se empenhando cada vez mais na melhoria das práticas de governança corporativa. No Brasil não é diferente. Os desafios para a implantação de boas práticas são temas prioritários que aparecem de forma consistente nas corporações.

Em recente encontro promovido pelo ACI Institute, em São Francisco, na Califórnia, e que reuniu conselheiros de administração, membros de comitês de auditoria e líderes empresariais, incluindo uma delegação brasileira, muito se discutiu sobre como superar as expectativas dos investidores, stakeholders e das próprias empresas com relação a estes assuntos.

Um dos pontos que mais gerou preocupação entre os participantes foi o crescente ativismo dos acionistas que, de forma significativa, pressiona a agenda do conselho de administração. O fato é que este maior ativismo tem se focado numa maior prestação de contas pelo conselho, com relação ao longo prazo.

Questões relacionadas ao plano estratégico e a continuidade do modelo de negócio, atreladas ao plano de remuneração dos executivos são cada vez mais assuntos de escrutínio pelos investidores. Para tanto, é necessário conhecer as prioridades e interesses de cada acionista e a forma como interagem com a administração.

Outro assunto que vem pautando as discussões é a ação das inovações disruptivas e como as constantes mudanças tecnológicas podem desestabilizar o negócio de uma forma rápida e significativa.

Os cibernéticos permanecem como ponto de atenção. Torna-se cada vez mais essencial, inclusive, a presença de um especialista no assunto compondo o conselho.

O que ficou claro também é que cada vez mais as ações regulatórias possuem abrangência global. A integração das leis anticorrupção e as regras internacionais de tributação (BEPS) proporcionam uma rica troca de informações e atuações em conjunto em investigações e nas definições de penas.

Diante de tudo isso, os conselhos de administração precisam estar atentos e focar esforços nas questões de ética e de conduta, no ambiente de controles internos, no gerenciamento de riscos e na atuação do comitê de auditoria, já que eles serão fundamentais para a saúde financeira da empresa e para atender o compliance regulatório.

Sidney Ito, sócio da empresa KPMG no Brasil

Postado em 29/06/2016 – Fonte: DCI – SP

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